Menopausa, Perimenopausa ou TPM? Guia completo para entender as mudanças do seu corpo em cada fase

Ana tinha 42 anos quando começou a sentir que algo estava diferente. As cólicas menstruais, que sempre foram moderadas, se tornaram intensas. Acordava no meio da noite suando, mesmo com o ar condicionado ligado. E a irritabilidade? Estava em um nível que ela nunca havia experimentado, nem mesmo na pior TPM.

“Será que estou entrando na menopausa?”, ela se perguntava. “Mas não sou muito nova para isso?”

Quando finalmente compartilhou suas preocupações com amigas, descobriu que não estava sozinha. Cada uma delas tinha histórias parecidas, sintomas confusos, e a mesma sensação de estar navegando no escuro.

Se você também está confusa sobre o que está acontecendo com seu corpo, se perguntando se é “só TPM” ou algo mais, este guia é para você. Porque entender as fases hormonais da sua vida não é apenas sobre nomear sintomas — é sobre recuperar o controle, reduzir a ansiedade e saber exatamente o que seu corpo precisa em cada momento.

Entendendo seu ciclo hormonal: uma jornada de autoconhecimento

Por que falar sobre isso ainda é tabu?

Vamos começar com a verdade inconveniente: nós simplesmente não conversamos o suficiente sobre as mudanças hormonais femininas.

Enquanto a puberdade feminina é minimamente discutida (ainda que de forma limitada), a perimenopausa e a menopausa permanecem envoltas em silêncio, mitos e até vergonha. Quantas mulheres chegam aos 40 anos sem nunca terem ouvido a palavra “perimenopausa”? Quantas acham que estão “enlouquecendo” quando começam a ter sintomas?

Esse silêncio tem raízes profundas em uma sociedade que historicamente desvalorizou o envelhecimento feminino e patologizou processos naturais do corpo da mulher. Como se falar sobre menopausa fosse admitir que estamos “velhas” ou “menos femininas”.

Mas aqui está a reviravolta: conhecimento é poder, e silêncio é isolamento.

Quando entendemos o que está acontecendo no nosso corpo, paramos de nos culpar. Paramos de achar que somos fracas, instáveis ou dramáticas. Começamos a ver nossos sintomas pelo que realmente são: mensagens de um corpo em transição, que precisa de suporte, não de julgamento.

Como os hormônios afetam corpo e mente

Antes de mergulharmos nas fases específicas, precisamos entender a dança complexa que acontece dentro de você todos os meses (e ao longo da vida).

Os principais atores hormonais:

Estrogênio: É muito mais do que o “hormônio feminino”. Ele afeta seu humor, seu cérebro, seus ossos, seu coração, sua pele, e até como você dorme. Quando os níveis flutuam ou diminuem, você sente o impacto em múltiplas áreas da sua vida.

Progesterona: O hormônio calmante. Ele equilibra o estrogênio, ajuda você a dormir, reduz ansiedade e prepara o útero para uma possível gravidez. Quando está baixa, você pode se sentir ansiosa, ter insônia e experimentar sintomas de TPM mais intensos.

Testosterona: Sim, mulheres também têm (e precisam). Ela é responsável pela sua energia, libido, massa muscular e clareza mental. Seus níveis também diminuem com a idade.

Cortisol: O hormônio do estresse. Quando está cronicamente elevado, ele interfere com todos os outros hormônios, agravando sintomas em todas as fases.

A interconexão é tudo:

Seus hormônios não trabalham isoladamente. Eles formam uma orquestra complexa onde cada instrumento precisa estar afinado. Quando um desafina, os outros tentam compensar, criando aquela sensação de que “tudo está meio estranho, mas não consigo explicar exatamente o quê”.

E aqui está o que ninguém te avisa: estresse crônico, má alimentação, falta de sono e vida sedentária podem fazer uma TPM normal parecer perimenopausa, ou piorar muito os sintomas da perimenopausa real.

Por isso é tão importante entender as diferenças e as nuances de cada fase.

TPM: muito além da irritação

O que realmente acontece no seu corpo

A Tensão Pré-Menstrual afeta cerca de 80% das mulheres em idade reprodutiva em algum grau. Mas vamos descomplicar o que realmente está acontecendo.

A ciência da TPM:

Após a ovulação (aproximadamente no dia 14 de um ciclo de 28 dias), seu corpo começa a produzir mais progesterona, preparando-se para uma possível gravidez. Se não houver gravidez, os níveis de estrogênio e progesterona caem drasticamente nos dias que antecedem a menstruação.

É essa queda hormonal brusca que desencadeia os sintomas. Mas há mais: essas flutuações afetam neurotransmissores no cérebro, especialmente a serotonina (seu hormônio do bem-estar), o que explica as mudanças de humor.

Sintomas clássicos da TPM (7-10 dias antes da menstruação):

Físicos:

  • Inchaço abdominal e retenção de líquidos
  • Sensibilidade ou dor nos seios
  • Dores de cabeça
  • Fadiga ou baixa energia
  • Desejos alimentares intensos (especialmente por doces e carboidratos)
  • Acne ou pele mais oleosa
  • Cólicas leves a moderadas

Emocionais:

  • Irritabilidade ou impaciência
  • Tristeza ou vontade de chorar
  • Ansiedade leve
  • Dificuldade de concentração
  • Mudanças no desejo sexual

O padrão é a chave:

A TPM tem um padrão previsível. Os sintomas aparecem consistentemente na segunda metade do ciclo (fase lútea) e desaparecem completamente ou melhoram significativamente com o início da menstruação. Se seus sintomas persistem durante todo o mês, provavelmente não é apenas TPM.

Diferença entre TPM e TDPM (forma severa)

Enquanto a TPM é desconfortável mas manejável, o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM) é sua versão severa e incapacitante, afetando 3-8% das mulheres.

Sinais de que você pode ter TDPM em vez de TPM comum:

  • Depressão profunda ou desesperança intensa
  • Ansiedade severa ou ataques de pânico
  • Mudanças de humor extremas e repentinas
  • Raiva incontrolável ou conflitos interpessoais significativos
  • Perda completa de interesse em atividades habituais
  • Dificuldade extrema de concentração
  • Fadiga avassaladora
  • Sensação de estar “fora de controle”
  • Sintomas que interferem significativamente com trabalho, relacionamentos ou vida diária

Importante: TDPM não é “frescura” ou exagero. É uma condição médica real que responde bem a tratamento, incluindo terapia cognitivo-comportamental, mudanças de estilo de vida e, quando necessário, medicação (incluindo antidepressivos em doses específicas ou anticoncepcionais).

Se você suspeita de TDPM, procure um ginecologista ou psiquiatra. Você não precisa sofrer todos os meses.

Estratégias naturais de alívio

Alimentação aliada:

  • Reduza sal nos 7-10 dias antes da menstruação (diminui retenção)
  • Aumente magnésio: folhas verdes escuras, amêndoas, abacate
  • Priorize proteína em cada refeição (estabiliza açúcar no sangue)
  • Inclua ômega-3: salmão, sardinha, chia, linhaça
  • Limite cafeína e álcool (podem piorar ansiedade e insônia)
  • Satisfaça desejos de forma inteligente: chocolate 70% cacau em vez de ultraprocessados

Movimento terapêutico:

  • Exercícios aeróbicos moderados (30 min, 3-4x semana) regulam humor
  • Yoga restaurativa para cólicas e ansiedade
  • Caminhada ao ar livre combina movimento e natureza

Suplementação (com orientação profissional):

  • Magnésio: 200-400mg/dia (reduz cólicas, ansiedade, enxaqueca)
  • Vitamina B6: 50-100mg/dia (melhora humor)
  • Cálcio: 1000-1200mg/dia (reduz sintomas físicos e emocionais)
  • Óleo de prímula: pode ajudar com sensibilidade mamária

Práticas de autocuidado:

  • Acompanhe seu ciclo (conheça seu padrão)
  • Ajuste expectativas: planeje menos compromissos na fase pré-menstrual
  • Priorize sono (fundamental para regulação hormonal)
  • Técnicas de redução de estresse: meditação, respiração, journaling

Perimenopausa: A fase que ninguém te contou

Quando ela começa (pode ser antes dos 40!)

Aqui está a informação que toda mulher deveria saber mas geralmente descobre tarde demais: a perimenopausa pode começar aos 35 anos.

Sim, você leu certo. Trinta e cinco.

A maioria das mulheres entra na perimenopausa entre 40-45 anos, mas não é incomum começar mais cedo, especialmente se você:

  • Tem histórico familiar de menopausa precoce
  • Fumante ou ex-fumante
  • Nunca teve filhos
  • Passou por tratamentos de câncer (quimio/radioterapia)
  • Removeu ovários cirurgicamente
  • Tem certas condições autoimunes

O que é exatamente a Perimenopausa?

“Peri” significa “ao redor” ou “próximo”. A perimenopausa é a transição que acontece nos anos (sim, anos — geralmente 4-8 anos) que antecedem a menopausa. É quando seus ovários começam a produzir menos estrogênio de forma inconsistente.

A palavra-chave aqui é inconsistente. Seus hormônios não diminuem de forma linear e previsível. Eles sobem, descem, despencam, sobem de novo — como uma montanha-russa que você não pediu para andar.

A diferença crucial:

  • TPM: Flutuações hormonais previsíveis dentro de cada ciclo menstrual
  • Perimenopausa: Flutuações hormonais imprevisíveis entre ciclos, com declínio geral ao longo do tempo
  • Menopausa: Ausência completa de menstruação por 12 meses consecutivos (marcando o fim da perimenopausa)

Sintomas iniciais e como reconhecê-los

O desafio da perimenopausa é que ela se disfarça de muitas outras coisas. É fácil confundir com estresse, TPM intensa, ou até depressão. Muitas mulheres vão a múltiplos médicos antes de receber o diagnóstico correto.

Sintomas iniciais clássicos (que você pode notar primeiro):

Mudanças no ciclo menstrual:

  • Ciclos mais curtos (21-24 dias em vez de 28)
  • Ciclos irregulares (ora 25 dias, ora 35, sem padrão)
  • Fluxo mais intenso ou mais leve que o habitual
  • Sangramento entre períodos
  • Ciclos que “pulam” (você fica sem menstruar por um mês ou dois, depois volta)

Ondas de calor e sudorese:

  • Calor súbito que começa no peito/rosto e se espalha
  • Dura de 30 segundos a 10 minutos
  • Pode vir acompanhada de palpitações
  • Sudorese noturna que molha os lençóis
  • Pode acontecer várias vezes ao dia ou ocasionalmente

Alterações de sono:

  • Dificuldade para adormecer (mesmo estando cansada)
  • Acordar várias vezes durante a noite
  • Acordar entre 2-4h da manhã e não conseguir voltar a dormir
  • Sono não reparador

Mudanças de humor e cognição:

  • Irritabilidade intensa (mais do que TPM normal)
  • Ansiedade nova ou piorada
  • Períodos de tristeza profunda sem causa aparente
  • “Névoa mental” ou dificuldade de concentração
  • Lapsos de memória (“Onde deixei as chaves? O que vim fazer aqui?”)
  • Sensação de estar “fora de si mesma”

Sintomas físicos:

  • Fadiga persistente
  • Dores musculares e articulares novas
  • Palpitações cardíacas
  • Secura vaginal ou desconforto durante o sexo
  • Diminuição da libido
  • Ganho de peso (especialmente na região abdominal)
  • Queda de cabelo ou mudança na textura
  • Pele mais seca

Sintomas menos conhecidos (mas muito reais):

  • Formigamento nas extremidades
  • Sensação de “choque elétrico” sob a pele
  • Zumbido no ouvido
  • Boca seca ou mudança no paladar
  • Piora de alergias
  • Alterações na visão

Por que você não está “enlouquecendo”

Se há uma mensagem que você precisa absorver sobre perimenopausa é esta: Seus sintomas são reais. Você não está inventando. Você não está sendo dramática. E você definitivamente não está enlouquecendo.

Por que os sintomas são tão intensos?

O estrogênio tem receptores por todo o seu corpo — no cérebro, coração, ossos, pele, sistema digestivo, e mais. Quando os níveis flutuam drasticamente, você sente o impacto em múltiplos sistemas simultaneamente.

O cérebro é particularmente sensível. O estrogênio ajuda a regular serotonina, dopamina e outros neurotransmissores. Flutuações bruscas podem literalmente afetar sua química cerebral, causando sintomas que parecem psiquiátricos mas têm raiz hormonal.

O desafio do diagnóstico:

Muitos médicos (mesmo ginecologistas) ainda têm conhecimento limitado sobre perimenopausa. Você pode ouvir:

  • “Você é muito nova para menopausa”
  • “Seus exames estão normais” (hormônios flutuam, então um exame pode parecer normal mesmo na perimenopausa)
  • “É só estresse/ansiedade”
  • “Experimente antidepressivos” (sem investigar a causa hormonal)

Se você sente que não está sendo ouvida, procure um segundo (ou terceiro) opinião, preferencialmente com ginecologista especializado em climatério ou endocrinologista.

Validação é cura:

Simplesmente saber que existe um nome para o que você está sentindo, que é uma fase reconhecida, que outras milhões de mulheres passam por isso — essa validação por si só reduz ansiedade e te dá de volta algum senso de controle.

Você não está perdendo a cabeça. Seu corpo está em transição, e transições são, por natureza, desconfortáveis.

Menopausa: redescobrindo seu corpo

Como saber se você chegou lá

A menopausa não é uma fase — é um momento específico no tempo. Tecnicamente, você está “na menopausa” quando completou 12 meses consecutivos sem menstruação.

Então, se sua última menstruação foi em 15 de janeiro de 2024, você oficialmente entrou na menopausa em 15 de janeiro de 2025.

Marcos da Menopausa:

  • Perimenopausa: Anos de transição com sintomas e ciclos irregulares
  • Menopausa: O dia exato 12 meses após sua última menstruação
  • Pós-menopausa: Todo o período após a menopausa (o resto da sua vida)

Idade média:

A idade média da menopausa é 51 anos, mas o “normal” vai de 45-55 anos. Antes dos 40 é considerado menopausa precoce e requer investigação e manejo diferenciado.

Como confirmar:

Se você tem mais de 45 anos e está sem menstruar há vários meses, seu médico pode solicitar um exame de FSH (hormônio folículo estimulante). Níveis consistentemente elevados de FSH indicam que seus ovários estão produzindo muito pouco estrogênio, confirmando menopausa.

Mas atenção: você não precisa de exames para saber que está na perimenopausa. O diagnóstico é clínico, baseado em idade + sintomas + padrão menstrual.

Sintomas comuns e como manejá-los

Quando você finalmente chega à menopausa propriamente dita, alguns sintomas melhoram (especialmente os relacionados a ciclos irregulares e flutuações), mas outros podem persistir ou até intensificar temporariamente.

Sintomas da Pós-Menopausa:

Ondas de calor: Podem persistir por anos após a última menstruação. Cerca de 75% das mulheres têm ondas de calor, e para 25-30% elas são severas.

Como manejar:

  • Vista-se em camadas
  • Mantenha o ambiente fresco
  • Evite gatilhos: cafeína, álcool, comidas apimentadas, estresse
  • Pratique respiração lenta e profunda quando sentir começar
  • Considere técnicas de biofeedback
  • Em casos severos, discuta TRH ou outros tratamentos com seu médico

Secura vaginal e mudanças sexuais: Com menos estrogênio, os tecidos vaginais ficam mais finos, menos elásticos e produzem menos lubrificação.

Como manejar:

  • Use lubrificantes durante o sexo (à base de água ou silicone)
  • Hidratantes vaginais regulares (não só durante o sexo)
  • Mantenha atividade sexual regular (melhora circulação local)
  • Exercícios de Kegel fortalecem assoalho pélvico
  • Discuta estrogênio vaginal tópico com seu ginecologista (seguro mesmo para quem não pode fazer TRH sistêmica)

Mudanças no peso e metabolismo: Muitas mulheres ganham peso na menopausa, especialmente na região abdominal, mesmo mantendo os mesmos hábitos.

Por que acontece:

  • Queda de estrogênio altera distribuição de gordura
  • Perda gradual de massa muscular (sarcopenia)
  • Metabolismo mais lento
  • Insulina menos eficiente

Como manejar:

  • Treinamento de força 2-3x semana (essencial para preservar músculo)
  • Proteína adequada: 1,2-1,6g por kg de peso corporal
  • Reduza açúcares e carboidratos refinados
  • Priorize sono (afeta diretamente hormônios da fome)
  • Gerencie estresse (cortisol alto promove gordura abdominal)

Saúde óssea: O estrogênio protege os ossos. Na pós-menopausa, você perde densidade óssea mais rapidamente, aumentando risco de osteoporose.

Como manejar:

  • Exercícios com carga (caminhada, musculação, dança)
  • Cálcio: 1200mg/dia (alimentação + suplemento se necessário)
  • Vitamina D: Mantenha níveis adequados (exame de sangue + suplementação)
  • Evite tabaco e excesso de álcool
  • Faça densitometria óssea conforme recomendação médica

Saúde cardiovascular: Antes da menopausa, o estrogênio protege o coração. Após, o risco cardiovascular aumenta.

Como manejar:

  • Monitore pressão arterial regularmente
  • Controle colesterol e triglicerídeos
  • Mantenha peso saudável
  • Exercício regular (cardio + força)
  • Dieta anti-inflamatória (mediterrânea)
  • Gerencie estresse
  • Não fume

Reposição hormonal: sim ou não?

A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é um dos tópicos mais controversos e confusos da saúde feminina. Vamos esclarecer.

O que é TRH:

Consiste em suplementar estrogênio (e progesterona para quem tem útero) para aliviar sintomas da menopausa e proteger contra certas condições.

Benefícios potenciais:

  • Redução dramática de ondas de calor (70-90% de melhora)
  • Melhora do sono
  • Proteção contra perda óssea e fraturas
  • Melhora da saúde vaginal e sexual
  • Possível proteção cardiovascular (se iniciada nos primeiros 10 anos de menopausa)
  • Melhora de humor e função cognitiva
  • Melhora da qualidade de vida geral

Riscos potenciais:

  • Pequeno aumento no risco de câncer de mama (com uso prolongado, principalmente após 5 anos)
  • Pequeno aumento no risco de coágulos sanguíneos
  • Possível aumento no risco de AVC (dependendo da idade e via de administração)

A verdade nuanciada:

A TRH foi demonizada após um estudo de 2002 (WHI), mas análises posteriores mostraram que o risco foi superestimado e os benefícios subestimados, especialmente para mulheres que iniciam a terapia na perimenopausa ou início da menopausa (antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos após a última menstruação).

Orientações atuais:

  • TRH é considerada segura e eficaz para mulheres saudáveis com sintomas moderados a severos
  • A decisão deve ser individualizada: seus sintomas, sua história médica, seus fatores de risco
  • Deve ser usada na menor dose eficaz, pelo menor tempo necessário
  • Estrogênio transdérmico (adesivo, gel) é mais seguro que oral para risco de coágulos
  • Progesterona micronizada (natural) é preferível a progestinas sintéticas
  • Contraindicações incluem: histórico de câncer de mama, coágulos, doença hepática severa, sangramento vaginal não diagnosticado

Outras opções não-hormonais:

Se TRH não é adequada para você ou você prefere não fazer, existem alternativas:

  • Antidepressivos em baixas doses (ajudam ondas de calor)
  • Gabapentina (para ondas de calor noturnas)
  • Fitoestrogênios (soja, linhaça) – evidência mista
  • Terapias alternativas: acupuntura, hipnose, meditação

A conversa que você deve ter:

Marque uma consulta focada especificamente em discutir TRH com seu ginecologista. Leve suas dúvidas por escrito. Pergunte sobre riscos e benefícios específicos para seu perfil. E lembre-se: a decisão final é sempre sua.

Seu plano de bem-estar para cada fase

Alimentação aliada dos hormônios

Sua dieta pode ser sua melhor aliada ou sua pior inimiga quando se trata de sintomas hormonais.

Para TPM:

O que priorizar:

  • Carboidratos complexos: Quinoa, batata-doce, aveia (estabilizam humor)
  • Magnésio: Folhas verdes, cacau, amêndoas, abacate
  • Vitamina B6: Grão de bico, banana, salmão, frango
  • Ômega-3: Peixes gordos, chia, linhaça, nozes

O que reduzir:

  • Sal (piora retenção)
  • Açúcar refinado (causa picos e quedas de energia/humor)
  • Cafeína (aumenta ansiedade e piora sintomas mamários)
  • Álcool (afeta qualidade do sono e hormônios)

Para perimenopausa:

O que priorizar:

  • Proteína em todas refeições: Preserva massa muscular
  • Fitoestrogênios: Soja orgânica, linhaça, sementes de gergelim
  • Gorduras saudáveis: Abacate, azeite, castanhas (apoiam produção hormonal)
  • Fibras: Regulam açúcar no sangue e ajudam eliminação de estrogênio
  • Alimentos anti-inflamatórios: Cúrcuma, gengibre, frutas vermelhas

O que reduzir:

  • Açúcar e carboidratos refinados (pioram ondas de calor e ganho de peso)
  • Álcool (gatilho para ondas de calor)
  • Comidas processadas (aumentam inflamação)

Para menopausa:

O que priorizar:

  • Cálcio: Laticínios, vegetais verde-escuros, sardinha, tofu
  • Vitamina D: Sol + suplementação conforme necessário
  • Proteína adequada: 1,2-1,6g/kg peso (combate sarcopenia)
  • Ômega-3: Proteção cardiovascular e cerebral
  • Antioxidantes: Frutas e vegetais coloridos (combatem envelhecimento)

Padrão alimentar recomendado: dieta mediterrânea

Estudos mostram que a dieta mediterrânea é especialmente benéfica para mulheres na perimenopausa e menopausa:

  • Reduz sintomas vasomotores
  • Protege saúde cardiovascular
  • Melhora densidade óssea
  • Apoia saúde cerebral

Exercícios recomendados por fase

Para TPM:

  • Semana 1-2 do ciclo (folicular): Maior energia, ideal para treinos intensos (HIIT, corrida, pesos mais pesados)
  • Semana 3 (ovulatória): Pico de energia, aproveite para treinos mais desafiadores
  • Semana 4 (lútea/TPM): Energia menor, prefira yoga, caminhada, alongamento, treinos moderados

Para Perimenopausa:

Combinação essencial:

  1. Cardio moderado (150 min/semana): Caminhada rápida, natação, ciclismo – melhora humor e saúde cardiovascular
  2. Treinamento de força (2-3x/semana): Essencial para preservar massa muscular e óssea
  3. Yoga ou Pilates (2x/semana): Melhora flexibilidade, reduz estresse, alivia tensão

Para Menopausa:

Prioridades:

  1. Treinamento de força: A prioridade número 1 para combater sarcopenia e osteoporose
  2. Exercícios com carga: Caminhada, subir escadas, dança
  3. Equilíbrio: Tai chi, yoga (previne quedas)
  4. Cardio regular: 30 min, maioria dos dias da semana

Dica de Ouro: Consistência > Intensidade. É melhor 20 minutos 5x por semana do que 2 horas 1x por semana.

Suplementação: o que realmente funciona

Suplementos com evidência científica:

Para todas as fases:

  • Magnésio (200-400mg/dia): Cólicas, humor, sono, ansiedade
  • Ômega-3 (1000-2000mg EPA+DHA): Inflamação, humor, saúde cardiovascular
  • Vitamina D (conforme exame): Humor, ossos, imunidade, energia

Para Perimenopausa e Menopausa:

  • Cálcio (se dieta insuficiente): 1200mg/dia total (alimentos + suplemento)
  • Vitamina B-complex: Energia, metabolismo, função cerebral
  • Probióticos: Saúde digestiva, imunidade, até humor

Fitoterápicos com alguma evidência:

  • Black Cohosh (cimicifuga): Pode reduzir ondas de calor (evidência mista)
  • Vitex (Agnus castus): Para TPM e irregularidades na perimenopausa
  • Dong Quai: Usado na medicina chinesa para sintomas da menopausa
  • Trevo vermelho: Contém fitoestrogênios

Importante:

  • Suplementos não substituem alimentação adequada
  • Sempre informe seu médico sobre o que está tomando
  • Compre de marcas confiáveis (muitos suplementos não têm a quantidade anunciada)
  • Dê tempo: suplementos geralmente levam 4-8 semanas para mostrar efeitos

Cuidados com saúde mental

As fases hormonais afetam profundamente sua saúde mental, e isso não é “tudo na sua cabeça” — é biologia real.

Valide sua experiência: Seus sentimentos são reais e válidos

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